Clientes ficam ilhados em um supermercado durante forte chuva
Era para ser uma tarde de compras em um supermercado, mas tornou-se uma evidência das mudanças climáticas
Rua alaga e clientes de um supermercado aguardam mais de duas horas para sair em segurança | Foto: Rosiana Alda
O céu azul de um dia quente se transforma em poucos minutos e nuvens carregadas trazem uma tempestade. Quem saiu de casa para fazer compras, uma tarefa trivial, foi surpreendido com a força das águas em uma rua com tantos endereços comerciais e residenciais.
Ilhados por mais de 2 horas, ninguém se arrisca a sair. Colaboradores da rede de supermercados sobem a comporta para evitar que o volume de água alcance a rampa de acesso e invada os corredores do estabelecimento.
Não há pânico, mas uma sensação de impotência. Em silêncio, gravo e registro as imagens até o celular descarregar. Observo os mais de 50 clientes que aguardavam entre a saída e corredores do supermercado, alguns permaneceram em silêncio, a maioria com mais de 50 anos, aparentemente, avisavam seus familiares.
Fico próxima da saída para esperar. A espera vira oração. Vira um tempo desconectada com o celular descarregado. Era para ser uma compra pequena e rápida, tornou-se uma incerteza. A mente já começa a cogitar a ideia de ter que permanecer ali por longas horas, talvez até dormir ali. Sinto um toque em meu ombro, ao me virar, uma senhora pede para eu fazer um vídeo, pelo WhatsApp, e enviar ao filho, pois não sabia como era o processo de envio. Fiz e enviei. Respirou aliviada e quando pensei em conhecer melhor quem ela era, voltou para o fim do corredor.
A chuva começou a dar uma trégua, o volume de água também diminuiu e, de repente, a rua estava normal de novo. Um por um, deixamos o supermercado. Seguimos com as nossas compras para casa, com as nossas vidas, mas um alerta é urgente: as mudanças climáticas são reais, eventos extremos estão cada vez mais recorrentes e a culpa não é da chuva, que precisa cair e dependemos dela para termos água.
Quem precisa agir? Governos, indústrias e a sociedade civil devem buscar soluções coletivas de adaptação, mitigação e transição em todos os setores. Ruas que canalizam os rios, desmatamentos irregulares, emissões de Gases de Efeito Estufa, entre tantas outras ações comuns não têm mais espaço em um mundo prestes a ter um colapso.










